quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O DIÁLOGO COM AS OUTRAS ÁREAS DO SABER E COM AS PRÁTICAS SOCIAIS

A alfabetização matemática na perspectiva do letramento requer o constante diálogo com outras áreas do conhecimento e com as práticas sociais que envolvem jogos, brincadeiras, relações de cooperação entre as pessoas, resolução de situações problemas entre tantas outras, nas quais números e operações, grandezas e medidas, pensamento algébrico, geometria e educação estatística são vivenciados de maneira contextualizada.

O acesso a leituras literárias de qualidade, jogos desafiadores, brincadeiras que despertem a cooperação e integração, atividades que mobilizem diversos saberes e reconheçam que a criança possui um corpo que necessita de movimento precisam fazer parte do planejamento no Ciclo de Alfabetização.

Essas, aliás, são vivências necessárias a todos os seres humanos, por isso, ao longo dos encontros PNAIC, os professores também tiveram a oportunidade de vivenciar o diálogo com outras áreas e com diversas práticas sociais. 

No último encontro, por exemplo, receberam de presente dos seus Orientadores uma sacolinha ecológica e foram incentivados a decorá-la conforme sua criatividade. O resultado foi um momento de muita cooperação e felicidade, além de autênticas sacolas personalizadas.









Que venham outros encontros e interações!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

PERCURSO PNAIC 2014

Algumas imagens de Francesco Tonucci, psicólogo e desenhista italiano que se especializou em retratar a infância no espaço escolar, foram selecionadas para fomentar as discussões com os professores alfabetizadores sobre conceitos essenciais discutidos ao longo da formação PNAIC 2014.




A primeira imagem nos remete à ideia de Qualidade Total na qual apenas alunos que obtém êxito na escola terão acesso a direitos, enquanto os demais são simplesmente excluídos do sistema. Nessa lógica o aluno é um produto da escola que, por sua vez, assemelha-se a uma fábrica com seus tempos e espaços determinados e suas ações repetitivas. A segunda confirma a dificuldade de muitos educadores em ouvir as crianças, reconhecendo seus saberes.

A atual perspectiva curricular estudada no PNAIC luta pela Qualidade Social da Educação, na qual os alunos são considerados sujeitos de direitos e a aprendizagem de todos e todas é uma responsabilidade da escola e da sociedade.

Nessa perspectiva, o direito à alfabetização no seu sentido lato, ou seja, o uso social da linguagem escrita e da oralidade em contextos diversos, precisa ser garantido em todas as áreas do conhecimento. Por isso se fala também em alfabetização matemática para se referir à apropriação do Sistema de Numeração Decimal e seu uso social em diversos contextos sempre vinculados a situações problemas.

Os saberes das crianças são, portanto, o ponto de partida para o trabalho pedagógico. O planejamento das aulas é organizado para atender suas necessidades de aprendizagem e precisa ser pautado pelo diálogo, pelo conhecimento de suas vivências e aprendizagens e não pelo que lhes falta. 

Não é mais possível reproduzir, por exemplo, o discurso de que "as crianças estão cada vez mais imaturas" ou "elas não sabem nada" pois elas são crianças mesmo e vivenciam suas infâncias de diversas maneiras conforme as oportunidades que lhes são oferecidas e as interações que realizam com seus espaços, tempos e relações interpessoais.

Como afirma o material do Pacto, é preciso aproveitar suas curiosidades e explorar situações e contextos problematizáveis, partindo de sua cultura e das histórias de vida, experiências e conhecimentos. Tudo isso considerando suas infâncias e a importância do brincar nessa fase.

Os direitos e objetivos de aprendizagem situam os conhecimentos como instrumento de formação e promoção humana. As crianças precisam ser alfabetizadas até os oito anos, pois isso lhes garante maiores oportunidades em seus contextos diários. 

A educação não pode ser considerada apenas uma promessa para o futuro, ela é necessária hoje e à escola cabe envidar todos os esforços possíveis para ampliar as oportunidades de vivências diversas com a leitura e a escrita significativas.

A organização das áreas do conhecimento em eixos estruturantes pretende garantir a diversidade dessas vivências. No caso da Matemática, é comum que o eixo Números e Operações ganhe maior evidência que os demais, mas quando os professores estudam sobre os demais eixos e compartilham suas possibilidades de integração, fica mais fácil garantir também as vivências de Pensamento Algébrico, Geometria, Grandezas e Medidas e Tratamento da Informação.

Vamos rever  nos slides a seguir alguns pressupostos desses eixos estruturantes e objetivos de aprendizagem amplamente discutidos com os professores e professoras.


















O percurso traçado com os professores alfabetizadores consolidou os conceitos tratados, sobretudo o reconhecimento do direito à aprendizagem. Não se tem apenas a expectativa de que os alunos aprendam, mas todas as ações serão organizadas para garantir-lhes esse direito.

As discussões sobre planejamento, avaliação e seus instrumentos, organização da rotina da sala de aula, organização dos espaços e agrupamentos, o trabalho com a diversidade e diferença, jogos e brincadeiras foram ampliadas nas reuniões pedagógicas das unidades escolares e, certamente, já promoveram muitos avanços também nos demais Ciclos de aprendizagem.

Ações que só foram possíveis com o empenho de Professores e Professoras a quem prestamos nossa homenagem com o vídeo "Todos juntos".



Ubuntu! Todos juntos podemos muito mais!
Para terminar essa publicação, ficamos com a foto dos alunos e alunas da Professora Marli Balotin, da EMEF Vera Lúcia, que vivenciou com suas crianças do 2.º ano a mesma história. 
Parabéns a todos e todas!






terça-feira, 23 de dezembro de 2014

REGISTROS DIFERENCIADOS NA FORMAÇÃO PNAIC 2014

Nesses dois anos de formação PNAIC, a prática do registro dos encontros formativos foi frequente, bem como o incentivo e orientação sobre o papel do registro no cotidiano escolar.

Na tese "A construção de prática de registro e documentação do trabalho pedagógico da Educação Infantil"  de Amanda Marques,  o registro é situado como produtor de memória e identidade que pode favorecer o desenvolvimento de posturas reflexivas e investigativas sobre as práticas ao se tornar ação sistemática de reflexão sobre as experiências, caminhando da descrição à análise das situações narradas.

A experiência dos registros nos encontros PNAIC também manteve a intencionalidade de promover reflexões, investigações e ações e por isso todos os cursistas foram incentivados a registrar ao menos um dos encontros da maneira como se sentisse mais à vontade.

A referência ao registro por vezes nos remete à produção de um documento formal, uma ata que descreve item a item os acontecimentos do dia, entretanto, o registro é uma ação autoral e é importante que seu autor o construa conforme sentimentos e necessidades. 

O registro é sempre uma seleção, uma edição organizada com determinada intencionalidade e relacionado à subjetividade. Dessa maneira, o registro terá sempre marcas de sua autoria, pautadas pelas escolhas do gênero, do léxico, dos fatos narrados ou omitidos.

Essa diversidade de registros caracterizou a prática dos professores alfabetizadores ao realizarem os registros PNAIC o que gerou uma série de registros diferenciados sobre os encontros formativos. Foram diversos os gêneros escolhidos: poemas, crônicas, fábulas, contos de fadas entre outros.

No II Seminário dos Professores Alfabetizadores, alguns desses registros foram divulgados e receberam a admiração de todos. Entre eles, a "Lenda da decimal", produzido pela professora Mariana Gonçalves, da EMEF M'Boi Mirim I.





















As professoras Maria José Marques, Raquel Alves Pessoa e Solange Gerônimo, todas da EMEF Paulo Colombo, também se destacaram com a produção de um poema de grande sensibilidade e criatividade.








A professora Márcia Cristina Gomes de Freitas, EMEF Irmã Dulce, também vivenciou essa experiência de escrever um emocionante registro poético.


Encantamento é descobrir
Descobrir é encantar
Encantar com símbolos
Simbologia numérica
Descobrir no deleite da leitura
Encantar...
“Apostando com o Monstro”
Que desencantado ficou
Ao descobrir que ser monstro
Bom não é não...
É ruim, sim senhor...
E descobrir o encantamento
Em ter amigos, isso é bom
Sim, senhor!
Descobrir a grandeza do amor....
Da amizade...
Encantar é educar,
Descobrir,
Quantificar,
Pesquisar,
Tabular,
Graficamente informar.
A estatística
Ah, a estatística...
Como conduz ao real
Encantamento é ler
Leitura do mundo fazer
Parece profundo?
Sim, senhor!
Com e estatística a leitura do mundo
É real.
Ler o mundo
É encantar-se.
Encantar é amar
Amar é descobrir
Descobrir...
Tantas e tantas formas
De ensinar
Vejam com pictograma
Um gráfico vou criar
E, quem diria,
Até sorvete nessa aula degustar!
Encantar é representar
Graficamente...
Sim, com gráficos de setores,
E de linhas também
Podemos encantar e reencantar
Podemos criar e recriar,
Pesquisar,
Analisar,
Combinar de várias formas
E utilizar a análise combinatória,
Permutação...
Onde ordenamos lado a lado
Utilizando todos os dados.
Complicado?
Não, senhor.
E o produto cartesiano
Onde utilizamos todos os dados
Sem ordenar.
Vamos ter que pensar!
E um arranjo, então?
Não utilizamos todos os dados, não.
Mas há uma ordem, sim senhor.
E se queremos combinação!
Não é necessário ordenar
E não precisa todos os dados utilizar...
E segue o encanto
Encantar é desafiar
Chegou o momento
Dos grupos de cada situação
Problema criar...
Com esse encanto de pessoa...
Cristina é seu nome,
Sua missão é a Matemática ensinar,
Mas para nós, além disso,
Ela sabe encantar!
Você sabe!
Esse grupo todo encanta!
Trocando suas experiências
Cada colega segue...
Mostrando sua prática
Enriquecendo as aulas de matemática.
Essa ciência exata...
Exata, sensata e que se encontra
Em todas as coisas
Também tem seu encanto
Como sabe encantar
Na música,
Na arte,
Na vida...
Seu encanto segue
Encantar
É aprender a amar

Amar é encantar

As professoras Nildete da Silva e Maria Lucia, ambas da EMEF Gianfrancesco Guarnieri,  inovaram na produção de um boletim informativo como registro de um dos encontros.






E o Professor Reginaldo Ferraz da EMEF Mauro Faccio Zacaria revelou seu enorme talento para o desenho e a escrita ao escrever e ilustrar a narrativa "No país dos sólidos".














Ainda foram apresentados no Seminário o vídeo produzido pela Professora Patrícia Pinheiro da EMEF Anna Silveira Pedreira, estabelecendo as interfaces entre Linguagem e Matemática, e o evento terminou com a emocionante homenagem prestada pela professora Simone Alves, em nome da turma PNAIC e dos amigos da EMEF Paulo Patarra, à Professora Maria Antunes que está às vésperas da aposentadoria, mas continua participando das formações com muito empenho e ampliando as possibilidades pedagógicas de seus alunos. 









Parabéns Professora Maria Antunes! Parabéns professoras e professores alfabetizadores da DRE Campo Limpo!