domingo, 23 de agosto de 2015

ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA: A PESQUISA PRESENTE NO CICLO DE ALFABETIZAÇÃO

As Ciências da Natureza no Ciclo de Alfabetização estão relacionadas à alfabetização científica como direito de aprendizagem. As crianças precisam ter a oportunidade de vivenciar contextos que despertem curiosidades e nos quais suas perguntas sejam ouvidas, consideradas e desdobradas em investigações.

A proposta da alfabetização científica põe em xeque um modelo de aula linear na qual o professor explica determinado conteúdo, enquanto o aluno escuta para depois repetir exatamente o que foi ensinado, e confirma a urgência de uma escola que desperte curiosidades e vivencie a investigação. 


A busca por respostas via investigação científica é muito mais produtiva que a reprodução de afirmações escritas no livro didático. Esse é o caminho da alfabetização científica.

Para ampliar o conhecimento sobre o assunto, professores e professoras estudaram o texto "Alfabetização Científica no Ciclo de Alfabetização um direito de aprendizagem", (Caderno de Ciências Humanas PNAIC 2015, pp. 09 a 18) cujo conteúdo está sintetizado nos slides a seguir.









As etapas da investigação estão presentes em grande parte das curiosidades das pessoas em seu cotidiano. É comum que diante de dúvidas sobre determinado assunto que nos interessa, pesquisemos em diversas fontes a fim de obter respostas. Entretanto, esse mesmo processo não é comum à cultura escolar, onde surge esporadicamente, pois requer a ousadia do mestre em assumir que não tem todas as respostas, apenas sabe como procurá-las.

Na atualidade, essa visão do mestre como detentor do saber e do aluno como ser desprovido de conhecimentos não se sustenta. A experiência de estudos e de vida do mestre legitima sua ação docente, pois é responsável por oportunizar aos alunos o despertar de curiosidades e orientá-los sobre as etapas da investigação, mas o aluno também possui saberes. 

A despeito da origem etimológica do termo, o aluno não é alguém sem luz. Ele observa, questiona, formula hipóteses e busca respostas que, posteriormente, divulga aos colegas. Se essa natural curiosidade for redimensionada na escola, alunos e professores aprenderão muito mais.

As perguntas surgem ou são despertadas de inúmeras maneiras. 
Na música "O que é, o que é" da dupla "Palavra cantada", as crianças são desafiadas por um questionamento. A resposta a essa pergunta não significa o fim de uma atividade e sim o início para muitas outras perguntas que podem surgir.



Nesse caso, a resposta à pergunta da canção é um conceito que certamente se desdobra em novas curiosidades das crianças, afinal o que é a sombra? Como ela é produzida? O vídeo a seguir relata uma sequência de atividades sobre esse tema vivenciadas com crianças do 2º ano.



Esse tema também pode ser vivenciado a partir de obras literárias como é o caso dos livros "Sombra" e "O menino que perdeu a sombra"



Samuel leva um grande susto quando percebe que perdeu a própria sombra. O que deve fazer? Contar para a mãe? Ligar para o pai e pedir ajuda? Procurar, quem sabe, um sombrologista? Como enfrentar os colegas da escola? O certo é que está em apuros e precisa encontrar uma solução...



A aclamada autora, que já havia fascinado os leitores ao retratar relação de uma menina com seu reflexo em Espelho e seu primeiro contato com o mar em Onda, coloca agora a personagem diante das silhuetas produzidas pela Sombra. “Desenhar” um pássaro com a mão e depois lançá-lo ao ar é o primeiro passo para que outras imagens se formem – e ganhem vida – a partir dos mais variados objetos. As sombras brincam, atravessam para a superfície iluminada e dissolvem, assim, o limite entre os dois mundos, materializado pela linha central do livro. 


São muitas as possibilidades de investigação científica a partir da temática das sombras. O teatro de sombras, por exemplo, pode ser inteiramente desenvolvido com as crianças, como visto no vídeo "O problema das sombras iguais".

Para potencializar a investigação científica, professores e professoras participantes dos encontros PNAIC foram desafiados a construir em grupo uma sequência de atividades de incentivo à investigação científica de seus alunos. Observe os slides a seguir.





Além dessas questões, o grupo poderia pensar em outras que, porventura, seriam mais adequadas ao território em que atuavam. O desafio será concluído com o desenvolvimento dessa proposta com os alunos e o registro no portfólio, como explicita a proposta de atividade a seguir.




A investigação científica é para todos e todas, por isso deve estar presente no Ciclo de Alfabetização como um direito dos estudantes. 

É possível encontrar na rede amplo material de pesquisa sobre o assunto, um exemplo é o site ABC na Educação Científica Mão na Massa CDCC/USP - São Carlos. no qual há conceitos e experiências adequadas ao trabalho nesse segmento.

O trabalho com a literatura também possibilita o planejamento de sequências de atividades que contemplem as etapas da investigação científica. É o caso dos livros "A planta e o vento" e "Gente, bicho, planta" que abordam temáticas relacionadas ao meio ambiente.



A planta está triste, pois não pode espalhar suas sementes. Mas o vento vai ajudá-la. A fecundação do solo, numa história comovente.


A terra e o ar viviam medindo forças e acabaram causando outros fenômenos. A criação do mundo segundo a Ciência, contada como se fosse uma história.


O Professor e Orientador de Estudos José Rosemberg desenvolveu em 2014 com suas turmas de 2º ano a sequência de atividades "Curiosos em ação", um ótimo exemplo de investigação científica com a utilização dos recursos da tecnologia digital. 




Se você também é um curioso ou curiosa em ação, clique aqui para acessar a sequência completa. 

Aliás, Rosemberg foi um dos destaques do mês de Agosto na Revista Nova Escola Gestão Escolar por desenvolver atividades de pesquisas com seus alunos a partir das tecnologias digitais, principalmente do celular. 
Vale a pena conferir!




Outra proposta interessante e que potencializa o trabalho com a investigação científica é de organização de uma Feira de Ciências. Acompanhe uma experiência bem sucedida disponível no artigo Mais Ciência do que Feira.

É isso aí, pessoal, seja você também um(a) professor(a) pesquisador(a) e incentive a investigação em suas turmas! 

Continuem os estudos, pesquisas e registros!! 


terça-feira, 18 de agosto de 2015

CULTURA CORPORAL NO CICLO DE ALFABETIZAÇÃO

A Educação Física no Ciclo de Alfabetização relaciona-se à cultura corporal em um constante diálogo com as culturas infantis expressas no brincar e no movimento espontâneo não estruturado, e também nas práticas corporais codificadas, relacionadas ao esporte, às lutas e danças clássicas ou populares e mesmo brincadeiras para as quais já há repertórios institucionalizados.

Embora, no município de São Paulo, a matriz curricular garanta a presença de um professor especialista nas aulas de Educação Física destinadas ao Ciclo de Alfabetização, algumas expressões da cultura corporal podem e devem ser vivenciadas por educadores e educadoras em todos os componente curriculares.

É importante conceber que somos um corpo, uma unidade que contradiz o binômio mente e corpo defendido por Descartes no século XVII e que, apesar dos avanços conceituais, ainda fundamenta a cultura escolar que idealiza os alunos longas horas sentados diante de tarefas que envolvem exclusivamente leitura e escrita.

Essa cultura da supremacia da razão sobre a emoção justifica o fato de que os parques e demais espaços que permitem a expansão do corpo são comuns na Educação Infantil, mas não estão presentes da mesma maneira nas Escolas de Ensino Fundamental, tanto nas construções de escolas públicas quanto nas de escolas particulares.

Sobre esse assunto, analisamos o Café Filosófico "O que pode o corpo" no qual a filósofa Viviane Mosé dialoga com a coreógrafa e bailarina Dani Lima sobre as potencialidades do corpo e seu enquadramento na sociedade contemporânea. Vale a pena assistir na íntegra.





Diante de tantos argumentos sobre a importância da cultura corporal é importante evidenciarmos o conteúdo dos slides a seguir:




A cultura corporal precisa estar presente em todas as ações formativas ampliando as interações e possibilidades de aprendizagem, por isso também a vivenciamos com professores e professoras:






Para ampliar a observação sobre nosso corpo, propusemos a oficina "Corpo, linhas e formas" idealizada pela Orientadora de Estudos Edicleide Urbano e vivenciada com todos @s cursistas PNAIC. Hora de pôr a mão na massa, observar e manusear nosso corpo em movimento.







Quando observamos nosso corpo em movimento podemos perceber sua energia e vigor, sua inventividade e alegria. Percebemos também o quanto sua expressividade evidencia nossos sentimentos, sejam alegrias ou angústias.

Essas sensações confirmam que a separação corpo e mente pode ser considerada um dos maiores equívocos do pensamento científico europeu.







Para ratificar a importância da cultura corporal em todas as suas possibilidades de expressão, nada melhor que despertar nossa sensibilidade com o trailer do filme "Tarja Branca". Porque brincar é essencial!





REORGANIZAÇÃO PNAIC 2015

Documento orientador das ações de formação PNAIC em 2015, divulgado pelo MEC no mês de julho, indicou a necessidade de reestruturação do Cronograma dos encontros formativos no Município de São Paulo. 

Fiquem atent@s à reorganização da DRE Campo Limpo:




Os encontros de Outubro reunirão todas as turmas no CEU Casa Blanca. No dia 02/10 das 19h às 22h e no dia 24/10 das 8h às 13h.




O Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa termina ao final deste ano, mas a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo já está planejando novas ações formativas em âmbito municipal.

Por enquanto ainda temos um percurso de amplos estudos, por isso não faltem nos encontros formativos e inscrevam seus projetos para apresentação no Seminário Final previsto para Outubro. 

terça-feira, 7 de julho de 2015

ENSINO DE MATEMÁTICA: PENSAMENTO ALGÉBRICO

A Matemática foi amplamente estudada em 2014 e será ampliada no PNAIC 2015 de maneira a favorecer a interdisciplinaridade e a garantia dos direitos de aprendizagem em contextos lúdicos.

Durante o encontro formativo, professores e professoras foram convidados(as) a participar da "GincaMat", oficina elaborada pelo Formador PNAIC José Roberto Campos Lima e que oportunizou a vivência de situações problemas envolvendo o pensamento algébrico e sua relação com outros saberes.

Antes dos desafios, assistiram ao vídeo "A vida não é fácil" e comentaram sobre a importância de estabelecer atitudes positivas em relação à Matemática. O sofrimento do garoto diante da necessidade de realização de uma série de tarefas do livro didático não significa que ele seja preguiçoso como sugere o pai, mas que realizar tantas tarefas para ele não faz sentido.



As atividades propostas na escola precisam ser significativas, pois a aprendizagem, ao contrário do que se pensou durante muito tempo, não ocorre pela repetição, mas pela possibilidade de estabelecer relações e vínculos com os conceitos trabalhados. 

Dessa maneira, em vez de propor muitos exercícios nos quais os desafios são os mesmos, é muito mais produtivo, propor uma boa situação problema. Não importa quanto tempo foi gasto para fazer uma tarefa, mas o quanto ela o desafiou cognitivamente.

Depois dessas discussões, a gincana foi iniciada. A turma se organizou em quatro grupos e de dois em dois grupos realizaram os desafios para, posteriormente, explicar o processo vivenciado até a solução dos desafios.

Para introduzir o desafio, vamos relembrar uma música que foi sucesso em 1982. 




E você consegue realizá-los? Acompanhe abaixo:














Diversão e aprendizagem colaborativa foram garantidas nessa atividade. Os grupos dialogaram, formularam hipóteses, vivenciaram pequenos conflitos e soluções e ampliaram as possibilidades de vivências do eixo pensamento algébrico com seus alunos, bem como de associações com outros saberes.























Durante os comentários, professores e professoras destacaram que, apesar do desafio entre equipes o que se evidenciou foi a cooperação. Não foi constituído um ambiente competitivo, o que seria totalmente inadequado às intencionalidades de aprendizagem.

Os desafios possibilitaram a constituição de uma série de hipóteses sobre resultados ou diversidade de caminhos para chegar ao mesmo resultado. Essas experiências podem ser vividas com alunos e alunas do Ciclo de Alfabetização.

Desde pequenas, as crianças precisam ter a oportunidade de trabalhar de maneira cooperativa, de aprender que não há um único caminho para representar o conhecimento e chegar a uma resposta, compreendendo que o processo é mais importante que o resultado correto. 

A Matemática não é tão exata quanto nos foi ensinado ao longo de nossa escolarização, nela também há espaço para construção de hipóteses, tentativa, erro, acerto. Não é preciso que ninguém possa ver minha resposta ou processo de elaboração, mas que seja estimulado a pensar comigo sobre as possibilidades de resolução.

Vivenciada dessa maneira, o que era considerado um bicho de sete cabeças pode se tornar uma grande aliada.

Para finalizar, nada melhor que uma proposta de leitura, reflexão e registro para ser discutida no próximo encontro.