sábado, 15 de novembro de 2014

A GEOMETRIA E SEUS PONTOS DE VISTA

Nada melhor que iniciar esse encontro com o poema "Ponto de vista" de Eduardo Galeano, do livro "De pernas pro ar: a escola do mundo ao avesso":



Um dos focos da Geometria são as noções de localização, deslocamento e lateralidade, conceitos relacionados a pontos de vista. As noções de proximidade, distância, direita e esquerda só se justificam a partir de determinado ponto de referência e, por isso, pode-se dizer que considerar os diferentes pontos de vista é essencial numa educação que se pretende democrática.

Para ampliar esses conceitos, os professores alfabetizadores vivenciaram algumas atividades bem interessantes e que mobilizaram bastante a reflexão.








No ensino de Geometria, é importante destacar a leitura, interpretação e construção de representação do espaço com uso de esquemas, malhas, diagramas, guias e mapas, bem como apropriação da linguagem que melhor descreve essa representação.

O pensamento geométrico requer a percepção do espaço de diferentes pontos de vista como condição necessária à coordenação espacial. Nesse processo, estão as noções de direção, sentido, ângulo entre outras essenciais à construção do pensamento geométrico.

Para Piaget e Inheler (1993) a criança constrói a noção de espaço por meio de uma liberação do egocentrismo. Nesse sentido, é preciso que ela amplie a sua percepção de mundo para que possa reconhecer que há outros pontos de referência, além dela mesma. Essa percepção permite as representações do espaço denominadas relações topológicas, projetivas e euclidianas.

Relações topológicas se referem à percepção do próprio corpo e sua relação com o meio ao usar referências como: dentro, fora, ao lado, na frente, atrás, perto, longe. Destacam-se, portanto, os conceitos de lateralidade, anterioridade e profundidade.

Nas relações projetivas, o ponto de partida ainda é o próprio corpo, quando a criança estabelece relações presentes em seu entorno, sendo capaz de projetar em uma perspectiva diferente da sua própria a partir de diferentes pontos de vista. Ao se liberar do egocentrismo, a criança começa a considerar a projeção a partir do ponto de vista de outro, por exemplo à direita e à esquerda de outro ponto de referência que não seja apenas o próprio corpo.

As relações euclidianas são simultâneas às projetivas e nelas se apoiam. É observável na produção de uma maquete em uma folha de papel, quando são consideradas os deslocamentos, as relações métricas e a colocação dos objetos coordenados entre si.




Esses conhecimentos possibilitam inter-relações com corpo e movimento, expressão artística, envolvem gêneros diversos como organização de roteiros e outros textos descritivos.

Há também uma série de possibilidades do trabalho com o tema em sala de aula ou sala de informática.











Os slides acima confirmam as grandes possibilidades de trabalho com o tema com ou sem o recurso da tecnologia digital. É um tema que nos remete à necessidade de considerarmos a validade dos diferentes pontos de vista, ação essencial ao ambiente escolar, onde os professores, apesar dos pontos de vista diferentes, precisam estabelecer um trabalho coletivo.

O encontro terminou com a leitura da crônica de Rubem Braga "Recado ao senhor 903" que promove uma boa reflexão sobre pontos de vista divergentes.


Vizinho –
Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclama contra o barulho em meu apartamento. Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explicito e, se não fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a lei e a polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a leste pelo 1005, a oeste pelo 1001, ao sul pelo oceano Atlântico, ao norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago sul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão: ao meu número) será convidado a se retirar às 21,45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 horas às 7 pois às 8:15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando o número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhes desculpas – e prometo silêncio.
… Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: ” Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou”. E o outro respondesse: “Entra vizinho, e come do meu pão e bebe do meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela”.
E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.
(Rubem Braga. "Para gostar de ler". São Paulo: Ática, 1991)

O tema ainda pode ser ampliado com o vídeo "Donald no país da Matemágica"




EIXO ESTRUTURANTE GEOMETRIA: SAINDO DO FINAL DO LIVRO E ENTRANDO NO COTIDIANO DO CICLO DE ALFABETIZAÇÃO

Relatos dos cursistas PNAIC no encontro de abordagem do eixo estruturante "Geometria" confirmam a hipótese de que esse tema era pouco trabalhado no Ensino Fundamental. Um dos motivos era a sua abordagem nos capítulo finais dos livros didáticos, material preponderante no contexto escolar.

Essa realidade vem mudando e os estudos atuais destacam a necessidade de garantir os direitos de aprendizagem da criança em todos os eixos estruturantes da Matemática: Números e Operações, Geometria, Grandezas e Medidas, Pensamento Algébrico e Educação Estatística.

Dessa maneira, a Geometria vem ganhando mais espaço na sala de aula e, portanto, mais espaço também nos ambientes de formação dos professores.

Para abordar o tema com os cursistas PNAIC, os Orientadores de Estudo questionaram seus conceitos prévios sobre o termo Geometria. Entre as principais respostas se destacaram a referência ao conceito de medida da terra, revelada pela construção da palavra: Geo: Terra; Metria: Medida.

Em grande parte, referir-se à Geometria corresponde aos conceitos de medida dos espaços, mas certamente os amplia e permite inter-relações com outros eixos estruturantes e outras áreas do conhecimento. 

O estudo do Caderno 5 do PNAIC amplia nosso olhar sobre o tema e destaca quais direitos de aprendizagem precisam ser garantidos aos alunos  e, principalmente, de que maneiras isso é possível considerando a importância da ludicidade nessa fase da infância.





Para vivenciar algumas atividades lúdicas com o eixo Geometria, os professores alfabetizadores tiveram a oportunidade de explorar diversos materiais nas seguintes oficinas: Geolig; Sólidos Geométricos;  Tangran;  Software Educativo Tangram; Massa de Modelar e Literatura;

Geolig




O Geolig é um material que permite ao estudante montar representações de formas geométricas, com destaque para a percepção de vértices, arestas e ângulos. 

Podem ser propostos desafios estimulantes às crianças, como quem consegue montar determinada forma em menor tempo, ou o maior número de formas, entre outras que divertem e consolidam aprendizagens.

Sólidos Geométricos



Os sólidos geométricos são materiais importantíssimos para a vivência das crianças com as representações das figuras tridimensionais. Com o manuseio dos prismas, pirâmides e esferas é possível compreender conceitos de face, vértice, aresta e base e relacioná-los a outras formas presentes na natureza e sociedade.

Tangram



O famoso quebra-cabeças chinês composto por 7 peças (5 triângulos, 1 quadrado e um paralelogramo) continua sendo uma ótima estratégia de consolidação da aprendizagem dos polígonos, além de estimular a criatividade, uma vez que possibilita a construção de várias figuras diferentes. 

É muito importante que, antes de sugerir às crianças a montagem de figuras, os professores explorem bastante o conceito de polígono, a construção de quadrados com duas, três, quatro e seis peças, pois dessa maneira fica mais fácil ao aluno avançar para a percepção de como as figuras podem ser construídas.

O tangram permite uma inter-relação com a linguagem artística, uma vez que a variedade de figuras formadas permite a composição de belos painéis.

Software Educativo Tangram



O software Tangram possibilita a ampliação dos conhecimentos sobre a geometria plana no ambiente virtual. Ele complementa a vivência das peças manuais do tangram e favorece a interação dos estudantes que, em geral, gostam muito de jogos virtuais.

É um jogo de fácil acesso e que pode ser utilizado na sala de informática da escola, proporcionando vivências muito estimulantes.

Uma boa dica para a ampliação dos conhecimentos sobre esse jogo educativo é a leitura do texto: O jogo computacional tangram: um objeto de aprendizagem da geometria

Massa de modelar



A massa de modelar é um material comum ao contexto da sala de aula e que pode ser um ótimo recurso para consolidar o conceito de sólidos geométricos. Os alunos podem ser desafiados a moldar prismas, esferas e pirâmides e com elas construírem outras formas interessantes.

No link http://pt.slideshare.net/solangegoulartdesouza/sugesto-de-sequencia-didatica-figuras-geomtricas-doraci você pode conferir uma criativa sequência didática produzida por uma professora do município de Biguaçu utilizando esse material.

Literatura





O acesso a textos literários de qualidade é um dos direitos de aprendizagem das crianças do Ciclo de Alfabetização e há várias produções literárias que, além de proporcionarem o contato do aluno com narrativas de qualidade, também potencializam aprendizagens de conceitos da Geometria.

Entre os livros, destacamos:


Livro - Incrível Poção Mágica, Uma


Há ainda muitos outros títulos adequados à ampliação do letramento e dos conceitos da Geometria. É importante apenas pesquisar e planejar a melhor maneira de utilizar esse recurso com as crianças.

A vivência de situações lúdicas é essencial à ampliação dos conhecimentos dos estudantes e melhoria das relações interpessoais no contexto escolar.

Para completar o acervo de possibilidades, vale a pena rever a atividade organizada pela Revista Nova Escola que apresenta uma experiência com o jogo detetive de formas:




Ao final do encontro, os professores puderam vivenciar uma oficina de geometrização. 

É ou não é produtivo unir geometria à expressão artística?





domingo, 19 de outubro de 2014

EIXO NÚMERO E OPERAÇÕES: CONSOLIDANDO ALGUNS CONCEITOS

Número e operações é, sem dúvida, um dos eixos mais abordados no Ciclo de Alfabetização uma vez que garantir seus direitos são fundamentais para que os estudantes compreendam o sentido numérico e sejam capazes de formular e solucionar situações problemas dos campos conceituais aditivos e multiplicativos.


A fim de consolidar alguns conceitos envolvendo esse eixo, os cursistas PNAIC compararam a pesquisa efetuada por Délia Lerner e Patrícia Sadovsky, divulgada no Livro "Didática da Matemática", ao documento "Elementos Conceituais para Definição dos Direitos de Aprendizagem". Segue abaixo uma síntese desse trabalho:




















De maneira geral, o resultado da pesquisa de Délia Lerner e Patrícia Sadovsky vai ao encontro da perspectiva de direitos de aprendizagem apresentadas no material do Pacto, pois reconhece que as crianças quando ingressam na escola já constituíram algumas hipóteses sobre o sistema de numeração decimal e precisam ampliá-las, por meio de atividades problematizadoras que as validem ou as reconstruam, promovendo avanços em sua aprendizagem.

A opção pela abordagem dos números e operações sob a ótica dos campos conceituais é sem dúvida inovadora e vem a cada dia favorecendo a conceitualização dos estudantes, revelando que não basta aprender a técnica operacional, é preciso contextualizá-la em situações significativas e diversificadas.


Continuamos nossos objetivos e nada melhor para descontrair que um pouco de poesia. 
Millôr Fernandes soube retratar muito bem alguns problemas da Matemática em seu "Poema Matemático". Vale a pena ler de novo!





quarta-feira, 3 de setembro de 2014

CONSTRUÇÃO DO SISTEMA DE NUMERAÇÃO DECIMAL E OPERAÇÕES NA RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS

No processo de alfabetização Matemática é fundamental que os alunos tenham oportunidade de desenvolver atividades diversificadas que potencializem a percepção das regularidades do sistema de numeração decimal.

Quando, na sala de aula, vivencia-se processos de contagem contextualizados, é possível ao aluno perceber, por exemplo, que a sequência numérica se organiza em torno do conceito de mais um e de que o número subsequente contém o número anterior.

Essa percepção bastante óbvia para os adultos não é algo tão simples para as crianças no seu processo inicial de alfabetização e, por isso, o investimento nessas atividades se faz necessário.

Um dos objetivos maiores do processo de alfabetização matemática é tornar o aluno familiarizado com o mundo dos números e capaz de compreender as diversas situações em que eles são utilizados.

Essa familiarização legitima o desenvolvimento de estratégias de cálculo mental e de estimativas e o uso dos dedos das mãos ou outros materiais para a contagem e indicação de quantidade.

No ciclo de alfabetização é fundamental garantir experiências diversificadas que trabalhem com conceitos antes de introduzir técnicas operatórias convencionais.

Nesse sentido, a teoria do campo conceitual desenvolvida por Gérard Vergnaud trouxe grandes avanços à didática da matemática.

As pesquisas desse matemático francês comprovam a importância do investimento na análise de situações problemas em vez da simples resolução de algoritmos.

A teoria do campo conceitual se fundamenta na percepção de que, antes de aprender uma técnica que visa facilitar a resolução de determinado problema, a criança precisa entender os conceitos envolvidos na situação problema que, para o autor, envolvem dois grandes campos conceituais chamados de aditivo e multiplicativo. 

À primeira vista parece que esses campos se referem apenas às operações de adição e multiplicação, entretanto, o que Vergnauld traz à tona é que o campo aditivo contempla também a subtração, assim como o campo multiplicativo contempla a divisão.

Ampliar a visão tradicional da aprendizagem das quatro operações reduzidas ao arme e efetue e à resolução de continhas tem sido um grande foco das ações formativas PNAIC, uma vez que, para isso, é preciso compreender mais a fundo os campos aditivo e multiplicativo e, principalmente, planejar atividades que desenvolvam esses conceitos com os alunos do Ciclo de Alfabetização.

Com esse intuito, várias atividades envolvendo resolução de situações problemas de maneira lúdica têm sido vivenciadas com os professores alfabetizadores. 

Uma das metas é que os professores potencializem a qualidade das interações com os alunos durante a resolução de determinado problema. A situação problema oferecida ao aluno precisa ser um desafio adequado ao seu contexto e requisitar que ele utilize estratégias pessoais de resolução. 

É importante destacar que, nesse caso, privilegia-se a qualidade e não a quantidade de situações problemas. Conhecendo um pouco mais os campos conceituais é possível perceber a necessidade de investimentos maiores em determinadas situações de acordo com o desenvolvimento do aluno.

Dessa forma, é possível trabalhar em sala um mesmo campo conceitual, mas diferentes situações problemas conforme o desenvolvimento dos alunos.

Para rever as abordagens e interações com os professores alfabetizadores nesses últimos encontros, vale a pena acessar a apresentação organizada no prezi pelo Orientador Rosemberg. O prezi é uma ferramenta tecnológica construída a partir da ideia de mapa conceitual e que visa dinamizar as apresentações no power point. Para conferir clique no link abaixo:


E continuamos seguindo as atividades PNAIC buscando algumas inovações e mantendo nossa luta pela educação pública de qualidade.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

OS JOGOS NA ALFABETIZAÇÃO MATEMÁTICA: VIVENDO E APRENDENDO A JOGAR!



No sábado, 26/07/2014, todas as 17 turmas PNAIC se encontraram no CEU Casa Blanca no "2.º Encontro dos professores alfabetizadores da DRE Campo Limpo: Jogos e Alfabetização Matemática".




O evento foi marcado pela confraternização e diversão. 
No primeiro momento, a palestra com a professora Maria Helena Souza, assessora da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e especialista em jogos matemáticos, trouxe informações sobre características dos jogos em diversas culturas e, sobretudo, características dos jogos pedagógicos.








Dentre as principais considerações, a professora destacou que os jogos pedagógicos não são livres, uma vez que os professores têm uma intencionalidade pedagógica, entretanto, precisam ser instigantes para os alunos e também garantir aprendizagem e diversão. 

Segundo Maria Helena, jogo pedagógico é sinônimo de jogo cooperativo, sendo redundante a expressão "jogos pedagógicos cooperativos".

Embora estimule certa competição, nenhum jogo pedagógico deve levar um aluno à sensação de fracasso por ter perdido uma partida, pois em seu processo o que está em destaque é a aprendizagem e oportunidade de compartilhar bons momentos com os colegas de sala.

Após as considerações sobre o jogo, a professora Maria Helena promoveu um momento muito divertido com os 400 professores alfabetizadores: um jogo de probabilidade que exigia destreza e sorte.


O desafio não foi fácil, mas a intenção era justamente promover uma experiência semelhante a dos alunos nos momentos em que lhes são apresentados conceitos que ainda desconhecem.

Depois de muito barulho, animação e até premiação aos vencedores, os professores foram para um breve intervalo para compartilhar o lanche coletivo.

No segundo momento, foram realizadas as oficinas de jogos nas salas da EMEF do CEU Casa Blanca. As turmas se organizaram em oito salas, cada uma acompanhada por dois Orientadores de Estudo e puderam vivenciar um circuito com os seguintes jogos pedagógicos:


  • Mancala
  • Metade e dobro
  • Trilha dos sólidos
  • Cara ou coroa
  • Marcando as horas


 

 Foram horas de intensa aprendizagem, comprovando que o trabalho com jogos pedagógicos é coisa séria e tem grandes chances de se tornar prática frequente na Rede Municipal de Ensino.

Vale a pena consolidar esse momento com o fragmento abaixo, disponível no Caderno de Jogos do PNAIC (p. 05).

"É preciso sempre lembrar que a utilização de jogos e brincadeiras na escola, com a finalidade explícita de ensinar, data de meados do século XIX. Considerado como o fundador dos jardins de infância, Friderich Froebel, já naquela época, defendia o seu uso em sala de aula.

Mais recentemente, diversos pesquisadores vêm se debruçando sobre as potencialidades pedagógicas do uso de jogos no ensino de forma geral e em particular na Educação Matemática.

É importante observar que o jogo pode propiciar a construção de conhecimentos novos, um aprofundamento do que foi trabalhado ou ainda, a revisão de conceitos já aprendidos, servindo como um momento de avaliação processual pelo professor e de autoavaliação pelo aluno.

Trabalhado de forma adequada, além dos conceitos, o jogo possibilita aos alunos desenvolver a capacidade de organização, análise, reflexão e argumentação, uma série de atitudes como: aprender a ganhar e a lidar com o perder, aprender a trabalhar em equipe, respeitar regras, entre outras.

No entanto, para que o ato de jogar na sala de aula se caracterize como uma metodologia que favoreça a aprendizagem, o papel do professor é essencial. Sem a intencionalidade pedagógica do professor, corre-se o risco de se utilizar o jogo sem explorar seus aspectos educativos, perdendo grande parte de sua potencialidade."

E é assim que o conhecimento é construído... "vivendo e aprendendo a jogar, nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar"...